Sindicatos e ONGs Reivindicam Separação de Farm Rio e Starbucks em Meio a Denúncias

Um grupo composto por 17 sindicatos, organizações de direitos humanos e ONGs fiscalizadoras, incluindo a Coffee Watch, está exigindo que a Farm Rio encerre sua parceria com a Starbucks ou que reformule suas políticas. Essa pressão surge em meio a denúncias graves envolvendo práticas laborais na cadeia de suprimentos de café da Starbucks, que teriam ocorrido em uma fazenda brasileira e resultado em condições de trabalho exploratórias.

O caso ganhou ainda mais repercussão depois que, nesta primavera, oito trabalhadores ingressaram com uma ação civil nos Estados Unidos. Esses trabalhadores afirmam que enfrentaram práticas abusivas, como trabalho infantil, tráfico de mão de obra e condições inseguras – situações que alguns críticos equiparam a formas modernas de escravidão. Embora a Starbucks destaque seus padrões éticos por meio dos C.A.F.E. Practices, essas denúncias colocam em questão a real eficácia de seus mecanismos de verificação e a integridade de sua cadeia de fornecimento.

Em uma carta enviada ao CEO da Farm Rio, Fabio Barreto, os manifestantes deixam claro que a manutenção da parceria com a Starbucks não condiz com os valores éticos e de responsabilidade social que a marca brasileira costuma ostentar. Entre as exigências estão a autorização para que trabalhadores em todo o mundo possam se organizar sindicalmente, a eliminação do trabalho infantil em todas as etapas da cadeia de suprimentos e o pagamento de salários justos para os trabalhadores rurais. Essas demandas refletem um descompasso entre a imagem vibrante e sustentável promovida pela Farm Rio e as práticas laborais controversas relatadas no contexto da parceria.

Enquanto a Starbucks nega as acusações, afirmando que as alegações são “sem mérito” e que a empresa continuará a defender sua marca com rigor, os protestos e mobilizações não cessam. Gravações e manifestações foram registradas diante de lojas Farm Rio, evidenciando o crescente descontentamento de ativistas e trabalhadores em relação à aliança com uma gigante do café associada a violações dos direitos humanos. Este episódio ressalta os desafios que grandes corporações enfrentam para manter a coerência entre seus compromissos éticos e as práticas operacionais em suas cadeias globais de fornecimento.

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