O nome Giorgio Armani é sinônimo de elegância contida e sofisticação atemporal. Aos 91 anos, o estilista italiano permanece como uma das figuras mais influentes da moda mundial, tendo construído um império que vai muito além das passarelas.
Nascido em Piacenza, em 1934, Armani não começou sua trajetória na moda. Estudou medicina em Milão com a intenção de se tornar cirurgião, mas abandonou o curso antes de concluir. Ainda assim, a formação deixou marcas: sua obsessão por proporções exatas e cortes precisos é frequentemente atribuída à disciplina adquirida nos estudos médicos.
Foi nos anos 1970 que Armani iniciou sua revolução silenciosa. Ao desconstruir o paletó masculino — retirando entretelas, enchimentos e estruturas rígidas — ele transformou a peça em algo leve, fluido e confortável, sem perder o refinamento. A proposta rapidamente ganhou espaço entre executivos, artistas e mulheres que buscavam uma alfaiataria elegante, mas funcional.
Armani também foi pioneiro ao adaptar o terno masculino para o guarda-roupa feminino. Modificou proporções, deslocou botões e introduziu elementos inspirados em trajes árabes, como golas altas e casacos estilo djellaba. A estética minimalista, com linhas limpas e cortes precisos, permanece como assinatura da marca até hoje.
A paleta de cores de Armani é outro elemento marcante. Tons de fango — inspirados na lama do rio Trebbia, que conheceu na infância — convivem com o azul profundo da ilha de Pantelleria e o vermelho tibetano. O cinza, no entanto, é sua cor emblemática. “Cinza é discreto, sofisticado e natural. Transmite paz e serenidade”, declarou em entrevista à imprensa italiana.
Ao contrário de muitos colegas, Armani nunca vendeu sua marca para conglomerados como LVMH ou Kering. Manteve o controle total sobre suas criações e negócios, que incluem Emporio Armani, Armani Exchange, EA7, Armani Privé, Armani Casa, cafés, restaurantes e hotéis. Em Milão e Nova York, é possível encontrar edifícios que abrigam várias dessas operações sob o mesmo teto.
Nos bastidores, o estilista é conhecido por sua atenção aos detalhes e pelo tratamento respeitoso às modelos. Supervisiona pessoalmente os desfiles, participa das provas de roupa e costuma fazer discursos antes de cada apresentação. “Ele pergunta se estamos confortáveis, se estamos felizes. É raro ver isso na indústria”, relatou a modelo Emilia Nawarecka, que trabalha com Armani há mais de uma década.
Armani também se posiciona sobre questões sociais. Em fevereiro de 2020, foi o único estilista a cancelar a presença de público em seu desfile em Milão por causa da pandemia de COVID-19. Dois anos depois, desligou a música de sua passarela em solidariedade ao povo ucraniano. Em carta aberta, pediu à indústria da moda que desacelerasse e refletisse sobre a “loucura da ganância”.
Sua vida pessoal, sempre discreta, foi revelada em uma entrevista ao Corriere della Sera, na qual falou sobre seu primeiro amor adolescente e sobre Sergio Galeotti, parceiro de vida e negócios. Galeotti morreu em 1985, vítima da AIDS. “Quando Sergio morreu, uma parte de mim morreu”, confessou.
Giorgio Armani permanece como uma referência incontornável na moda. Seu estilo, previsível para alguns, é celebrado por sua consistência e refinamento. Ao longo das décadas, ele provou que a verdadeira inovação pode estar na simplicidade — e que o silêncio, quando bem costurado, pode ser mais poderoso do que qualquer tendência.
