“Faça um pedido para a estrela mais brilhante do céu e ela certamente ouvirá.”
E posso afirmar, com toda a convicção, que de tanto pedirmos para que a Chanel voltasse a brilhar, o universo finalmente atendeu: a estreia de Matthieu Blazy foi um verdadeiro presente das estrelas.
Blazy nos fez sonhar novamente com a Chanel — e isso não é pouca coisa. Estamos falando de uma Maison francesa centenária, guardiã de uma das estéticas mais icônicas e tradicionais da moda.
Logo de início, o cenário celestial arrebatou o olhar. A escolha não foi aleatória: Coco Chanel era fascinada pela astronomia, paixão que celebrou em 1932, em uma coleção de alta joalheria inspirada nas constelações. Matthieu, com sensibilidade e inteligência poética, brincou entre tempo e espaço, cruzando o passado, o presente e o futuro da Maison com uma naturalidade quase cósmica.
A coleção bebeu da história — e também do amor. A musa invisível aqui é Boy Capel, o grande amor de Coco e o homem que financiou sua primeira boutique de chapéus em 1910. Ao vasculhar os arquivos da marca, Matthieu descobriu camisas que Coco encomendara para Boy — e a partir dessa relíquia, construiu toda uma narrativa de romance, memória e reinvenção.
As silhuetas dos anos 1920 renascem, mas com um frescor moderno. Os comprimentos seguem o gosto de Coco, que detestava joelhos à mostra, e o charme vintage ganha força com saias fluídas, bordadas, com plumas, volumes e movimento. O tweed, símbolo da Maison, surge repaginado em tons vibrantes, enquanto os broches florais e os máxi colares de pérolas assumem proporções audaciosas — uma ode à extravagância refinada. Até o clássico sapato bicolor ganhou nova vida.
Se antes o mundo da moda observava a estreia de Blazy com tensão e curiosidade, agora podemos respirar aliviados: a Chanel voltou a brilhar com propósito e poesia. Matthieu não apenas entendeu o legado de Coco — ele o reinterpretou com amor, humor e alma.
E quando uma estrela volta a brilhar, a gente só pode agradecer ao céu.
Análise por: Camila Peres Nicolini
