A marca italiana Tod’s, conhecida por seus sapatos de couro refinados e bolsas de alto padrão, está enfrentando uma tempestade jurídica e reputacional. Promotores da cidade de Milão abriram uma investigação sobre supostos abusos trabalhistas em oficinas terceirizadas que produzem componentes para os produtos da grife.
Segundo os investigadores, trabalhadores estariam sendo submetidos a jornadas exaustivas e condições precárias em fábricas localizadas nas regiões da Lombardia e Marche. As denúncias apontam para uma rede de subcontratação que inclui oficinas de propriedade chinesa, onde os direitos trabalhistas estariam sendo ignorados em nome da eficiência e do baixo custo.
Embora a Tod’s não esteja formalmente acusada de crime, os promotores pediram que a empresa seja colocada sob administração judicial — uma medida já aplicada a outras gigantes da moda italiana, como Valentino e Dior, em casos semelhantes.
Diego Della Valle, CEO da Tod’s, reagiu com firmeza. Em entrevista à imprensa italiana, ele defendeu a integridade da marca e criticou o que chamou de “ataques injustos” ao setor de moda “Made in Italy”. Segundo ele, a Tod’s realiza inspeções regulares e exige conformidade com as leis trabalhistas em toda a sua cadeia de produção.
O caso reacende o debate sobre a terceirização na indústria da moda e os limites éticos da produção em larga escala. Em resposta à onda de denúncias, o governo italiano está preparando uma nova legislação para reforçar a fiscalização e proteger a reputação da moda nacional — uma das joias da economia italiana.
