Advogado suíço é investigado por suposta apropriação de ações da Hermès

O Ministério Público francês anunciou, em 28 de maio, que colocou o advogado suíço Alexandre Montavon sob investigação formal por seu suposto papel, há mais de uma década, na apropriação indevida de milhões de ações da Hermès em benefício da LVMH.

Segundo comunicado enviado à Reuters, Montavon é suspeito de ter participado da transferência irregular de ações pertencentes a Nicolas Puech, herdeiro da Hermès, por meio de sua atuação como advogado e administrador da empresa offshore Dilico. O supervisor do mercado francês (AMF) já havia apontado que a Dilico foi usada para transferir ações da Hermès para bancos ligados à LVMH.

A disputa

A medida processual indica que os investigadores franceses estão aprofundando as circunstâncias em que a LVMH acumulou participação na Hermès, movimento revelado em 2010 e que desencadeou uma longa disputa corporativa entre as duas gigantes do luxo.

Montavon foi colocado sob investigação formal por “cumplicidade em abuso de confiança”, enquanto Puech, de 83 anos, move uma ação civil contra Bernard Arnault e o grupo LVMH, alegando ter sido privado de ações avaliadas hoje em mais de 10 bilhões de euros.

Em 2013, a LVMH foi multada em 8 milhões de euros pela AMF por não ter divulgado adequadamente o aumento de sua participação na Hermès, sanção que a empresa classificou como “infundada”.

Reações e desdobramentos

A LVMH recusou comentar o caso atual, remetendo a um comunicado anterior em que negava qualquer apropriação indevida de ações da Hermès. Montavon também não se pronunciou, afirmando apenas que encaminhou o pedido de resposta ao seu advogado.

A empresa Dilico, ligada ao advogado, foi liquidada em 2020. Já Puech, que foi um dos maiores acionistas individuais da Hermès, declarou em entrevista à revista francesa L’Express que perdeu involuntariamente o controle de sua participação.

Em dezembro de 2023, Puech apresentou uma queixa-crime em Paris contra seu ex-gestor de patrimônio, Eric Freymond — que administrou sua fortuna por mais de 20 anos e morreu em julho de 2025, enquanto era investigado na Suíça.

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