Jean Paul Gaultier abre nova era com Duran Lantink na alta-costura

A semana de alta-costura em Paris ganhou um novo capítulo com a estreia de Duran Lantink como diretor criativo da Jean Paul Gaultier. O estilista apresentou sua primeira coleção de couture, intitulada Tech Couture, em um espetáculo que misturou referências históricas, experimentação tecnológica e a irreverência que sempre marcou a maison.

Inspirado pela figura de Marie Antoinette, que dominava a arte de ocupar espaço com vestidos volumosos e chapéus extravagantes, Lantink trouxe para a passarela esculturas de tule, vestidos em formato de coluna tubular e peças que pareciam crescer em estruturas ao redor do corpo. A visita recente ao Palácio de Versalhes reforçou esse imaginário, traduzido em looks que funcionavam como verdadeiras obras de arte óptica.

Vencedor do Karl Lagerfeld Award no LVMH Prize de 2024, Lantink declarou que vê a coleção como um “laboratório de experimentação”. O estilista combinou técnicas tradicionais — como corsets, crinolinas e panniers — com materiais industriais e tecnologia 3D. Um vestido em formato de sino foi impresso em 3D, flocado à mão e finalizado com rendas, enquanto uma coluna em rosa flamingo ganhou camadas de penas.

Entre as colaborações, destacou-se o trabalho com Whitaker & Malem, dupla conhecida por suas criações em couro moldado, que desenvolveu um bustiê sci-fi em tom borgonha. Já o modelo Leon Dame desfilou um torso ondulado em látex, com detalhes pintados à mão que remetiam aos virais “nude tops” da própria marca de Lantink.

Embora tenha evitado os ícones óbvios da maison — como o sutiã cônico e as listras marinheiro —, Lantink revisitou outras obsessões de Gaultier: bodysuits, tricôs Aran, alfaiataria escultural e o upcycling. Um dos destaques foi uma jaqueta feita a partir de três casacos Levi’s reaproveitados, além de um vestido em renda guipure que remetia à coleção Cages de 2008.

Depois de anos de colaborações com estilistas convidados como Glenn Martens e Haider Ackermann, a Jean Paul Gaultier Couture entra em uma nova fase sob o comando de Lantink. O desfile, realizado no salão principal da sede da marca na rue Saint-Martin, foi ambientado em um espaço revestido de tecido branco acolchoado — um “quadro em branco” para o futuro da maison.

“Couture é sobre artesanato e mão de obra, mas também é divertido brincar com tecnologia e encontrar um ponto de equilíbrio que ainda pareça romântico”, disse Lantink. Confiante, ele concluiu: “As mulheres da maison são poderosas e não têm medo.”

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