Um novo espaço cultural dedicado à memória e à obra de Lola Mora foi inaugurado na Argentina. De acordo com a Artforum, o Lola Mora Cultural Center está localizado nos arredores de San Salvador de Jujuy, no noroeste do país, em meio à floresta de Yungas e aos pés da Cordilheira dos Andes. O projeto é também a última obra arquitetônica concebida pelo argentino César Pelli, que morreu em 2019.
O centro cultural reúne seis esculturas monumentais de Lola Mora, transferidas de diferentes locais da província de Jujuy. As obras — The Lions, Liberty, Progress, Work, Peace e Justice — foram originalmente encomendadas em 1906 para o Palácio do Congresso Nacional Argentino, em Buenos Aires. Após 15 anos, as esculturas foram transferidas para Jujuy e permaneceram separadas por mais de um século. Agora, depois de um amplo processo de restauração, elas são apresentadas juntas pela primeira vez em mais de 100 anos.
Segundo a Artforum, Lola Mora (1866–1936) foi uma das artistas pioneiras da escultura pública na Argentina e uma das primeiras mulheres latino-americanas a conquistar espaço em uma área dominada por homens. Aos 30 anos, viajou para Roma com financiamento do governo argentino para continuar sua formação artística e passou a estudar com o escultor italiano Giulio Monteverde. Mais tarde, construiu uma carreira marcada por grandes encomendas públicas e obras monumentais.
Entre seus trabalhos mais conhecidos está a Fonte das Nereidas, inaugurada em Buenos Aires em 1903. A obra, marcada pelas figuras nuas em mármore, provocou controvérsia na época e acabou sendo transferida de seu local original. A trajetória de Mora também foi marcada pela resistência às convenções sociais de seu tempo, apesar do reconhecimento internacional que conquistou — incluindo uma medalha de ouro na Exposição de Paris de 1900 por um autorretrato em mármore.
A arquitetura do novo centro cultural também ocupa papel central no projeto. Com aproximadamente 3 mil metros quadrados e dois andares, o edifício foi concebido por César Pelli como uma referência ao cinzel utilizado por um escultor. Grandes superfícies de vidro conectam os espaços expositivos à paisagem natural, permitindo que as obras de Mora sejam observadas em diálogo com a floresta e as montanhas ao redor. O complexo ainda conta com centro de interpretação, restaurante, biblioteca, loja e ateliê para artistas convidados.
