Por que você esquece o que ia fazer? Especialista explica os motivos por trás da “névoa mental”

Você já entrou em um cômodo e esqueceu completamente o motivo? Ou teve uma palavra na ponta da língua e, de repente, ela simplesmente desapareceu? Esses pequenos lapsos de memória são comuns, mas podem estar relacionados não apenas à memória, como também à atenção e à sobrecarga mental. O fenômeno conhecido como “brain fog”, ou névoa mental, merece atenção quando se torna frequente ou começa a interferir na rotina.

Em entrevista para o site Poosh, o médico Daniel Amen, especialista em atividade cerebral, a névoa mental não é um diagnóstico, mas pode ser um sinal de que o cérebro precisa de mais atenção. Ele explica que exames de imagem cerebral frequentemente mostram alterações no fluxo sanguíneo e na atividade de regiões relacionadas à atenção, concentração e memória.

Quando a memória não é exatamente o problema

Um dos pontos destacados pelo especialista é que muitos episódios que parecem ser falhas de memória são, na verdade, problemas de atenção. “A memória começa com a atenção”, explica Amen. Quando uma informação não é devidamente registrada no primeiro momento, fica mais difícil recuperá-la depois.

Isso ajuda a explicar situações curiosas, como lembrar facilmente de uma música ou acontecimento de décadas atrás, mas esquecer por que entrou em determinado cômodo. Segundo o médico, emoções e repetição ajudam algumas memórias a permanecerem armazenadas por muito tempo, enquanto a chamada memória de trabalho depende diretamente de atenção e concentração. Estresse, distrações, multitarefa e noites mal dormidas podem contribuir para esses esquecimentos momentâneos.

Sono, estresse e alimentação podem influenciar

Entre os fatores associados à névoa mental estão sono inadequado, estresse crônico, consumo excessivo de álcool, alterações hormonais, ansiedade, depressão, TDAH, deficiência de vitaminas e determinados medicamentos. O excesso de alimentos ultraprocessados também é apontado como um possível fator.

O médico chama atenção ainda para as oscilações de açúcar no sangue. De acordo com Amen, picos e quedas de glicose podem afetar energia, humor e concentração. Por isso, ele recomenda priorizar refeições com proteínas, gorduras saudáveis, vegetais, fibras e boa hidratação.

Pequenos hábitos também podem afetar o cérebro

A rotina moderna também pode contribuir para a sensação de mente sobrecarregada. Passar muito tempo sentado, realizar várias tarefas simultaneamente, passar horas nas redes sociais e manter pouco contato social estão entre os hábitos citados pelo especialista como possíveis “ladrões do cérebro”.

Para momentos em que a névoa mental aparece, Amen sugere uma estratégia simples: movimentar o corpo. Uma caminhada rápida de 10 a 15 minutos pode ajudar na circulação sanguínea e contribuir para atenção, energia e humor. Levantar-se, alongar-se, beber água e afastar-se da tela por alguns minutos também podem funcionar como uma pausa para o cérebro.

Quando procurar ajuda

Esquecer ocasionalmente um nome ou uma palavra não costuma ser motivo para preocupação. No entanto, é importante procurar avaliação médica quando a névoa mental surge de maneira repentina, piora rapidamente ou começa a atrapalhar atividades do dia a dia.

Confusão, dores de cabeça intensas, fraqueza, alterações de personalidade ou dificuldade para falar associadas aos problemas cognitivos também são sinais que exigem atenção médica.

A mensagem principal do especialista é que a saúde cerebral não precisa ser encarada como algo imutável. Sono adequado, movimento, alimentação equilibrada, hidratação e momentos de descanso podem fazer parte de uma rotina voltada ao cuidado com o cérebro.

O conteúdo tem caráter informativo e não substitui avaliação ou orientação de um profissional de saúde.

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