Estilo pessoal não nasce apenas das tendências. Ele é fruto de experiências, memórias e referências que atravessam a vida: arte, arquitetura, cinema, viagens e culturas diversas ampliam o olhar e ajudam a transformar inspirações em uma narrativa visual única.
Para a consultora de imagem e estilo Camila Mundell, identidade visual é resultado do repertório que cada pessoa constrói ao longo da vida. “Nosso repertório cultural amplia o nosso olhar. Quando conhecemos outras formas de viver, outras culturas e diferentes manifestações artísticas, passamos a ter mais referências para construir o nosso estilo”, explica.
Da referência à identidade
Uma obra de arte pode inspirar uma paleta de cores, a arquitetura pode sugerir novas texturas, a fotografia pode indicar composições, e uma viagem pode apresentar formas inéditas de vestir. Mas transformar referência em identidade exige interpretação: adaptar inspirações ao contexto, personalidade e rotina de cada pessoa.
Camila reforça que até as tendências podem ser filtradas pelo repertório: “Você não precisa usar uma tendência exatamente como ela foi apresentada. Pode trazer apenas um elemento, uma cor, uma textura. O repertório dá mais possibilidades de escolha.”
Roupa também é memória
O guarda-roupa pessoal é parte desse repertório. Revisitar peças já existentes e experimentar novas combinações é uma forma de dar novos significados às roupas. “Vimos essa ideia no último desfile masculino da Prada inverno 26, que trouxe looks com cara de usados e peças tiradas do guarda-roupa, mostrando que roupas carregam histórias e são feitas para durar”, comenta Camila.
Como ampliar o repertório
Um exercício simples é observar e registrar em fotos aquilo que desperta interesse: uma combinação de cores em uma exposição, uma textura arquitetônica, uma cena de cinema. Com o tempo, esse arquivo pessoal revela padrões e preferências, ajudando a construir uma identidade visual autêntica.
Paris Fashion Week como laboratório
Para alimentar ainda mais seu repertório, Camila se prepara para a Paris Fashion Week, de 28 de setembro a 6 de outubro. Além de acompanhar desfiles de marcas renomadas como Comme des Garçons, ela mergulhará na cena criativa parisiense: exposições, galerias, ateliers, perfumaria, joalheria e gastronomia.
“Paris se transforma em um grande laboratório de criação. Moda, arte e cultura se encontram em uma atmosfera única. É nesse ambiente que surgem os códigos visuais que ajudam a construir o futuro da moda”, afirma Camila.
