Stella McCartney apresenta uma ode aos oceanos na Paris Fashion Week

Se Stella McCartney pudesse escolher um lugar para começar sua coleção de verão, talvez fosse debaixo d’água. Para a Spring 2027, a estilista mergulhou no universo dos oceanos e trouxe para Paris uma coleção povoada por golfinhos, ondas, corais e referências à vida marinha. E, como quase tudo que envolve Stella, a beleza das roupas vem acompanhada de uma boa dose de consciência ambiental.

O desfile começou com a voz de David Attenborough, em um trecho do documentário Ocean, de 2025. A escolha não foi por acaso. O oceano ocupa cerca de 70% do planeta e, para Stella, também ocupa um espaço importante em sua própria história. A admiração pelo mundo subaquático que a acompanha desde a infância apareceu em estampas de golfinhos, desenhos de ondas e detalhes que lembram conchas e ostras.

Mas a estilista não ficou apenas no lado encantador do mar. Stella chamou atenção para uma contradição curiosa: celebramos a vida marinha e, ao mesmo tempo, colocamos frutos do mar no prato. A pesca, segundo sua crítica, pode causar danos a golfinhos, polvos e outras espécies. A mensagem é séria, mas chega à passarela de um jeito muito mais leve — afinal, estamos falando de Stella McCartney.

E leveza é justamente uma das palavras que combinam com a coleção. Jaquetas de alfaiataria ganham cordões na cintura, calças aparecem com partes transparentes e os vestidos de noite são atravessados por motivos que lembram ondas. Há também corta-ventos em tons pastel, bralettes, calças utilitárias e aquele toque esportivo que ajuda a deixar tudo menos “montado” e mais desejável.

A parte divertida fica por conta dos detalhes. Tricôs recebem fios transparentes que criam pequenas bordas onduladas, quase como ostras, enquanto camisetas aparecem com golfinhos em uma estética vintage. É o tipo de coleção em que você pode olhar duas vezes para perceber que aquele detalhe aparentemente simples está contando outra história.

A sustentabilidade, claro, está presente desde o início do processo. Segundo a WWD, Stella trabalhou com poliéster reciclado, materiais à base de proteínas, tecidos de estoque parado e lã produzida em laboratório, utilizada pela marca há duas temporadas. Para a estilista, a mudança precisa acontecer não apenas na peça final, mas no próprio fio que dá origem à roupa.

E Stella também aproveitou a ocasião para falar de quem está do outro lado da cadeia. A designer defende que as grandes marcas de luxo precisam participar mais ativamente dessa transformação, ajudando a criar novas formas de produção e cadeias de fornecimento mais responsáveis. Recentemente, ela também apresentou a The Climate Pledge Fashion Coalition, iniciativa voltada à colaboração da indústria em torno das questões climáticas.

No fim, o que chega à passarela é uma coleção que consegue falar de assuntos bastante sérios sem perder a leveza. Golfinhos aparecem em camisetas, ondas percorrem a alfaiataria e os vestidos ganham movimento — enquanto, por trás de tudo isso, Stella McCartney lembra que cuidar do planeta também pode fazer parte daquilo que vestimos.

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