Chesa Marchetta transforma uma hospedaria histórica em refúgio de arte nos Alpes suíços

Há lugares em que a arte não fica restrita às paredes de uma galeria. Em Sils-Maria, uma pequena vila nos Alpes suíços, ela também faz parte da experiência de se hospedar, jantar e descobrir a história de um destino. É essa combinação que define o Chesa Marchetta, hotel instalado em uma antiga hospedaria que ganhou um novo capítulo pelas mãos de Iwan e Manuela Wirth, fundadores da galeria internacional Hauser & Wirth.

Inaugurado no fim de 2025, o empreendimento ocupa construções históricas cujas origens remontam ao século XVI. Antes da renovação, o endereço era conhecido como restaurante e hospedaria administrados pela família Godly desde 1947. A proposta foi preservar a memória do lugar e sua relação com a comunidade, trazendo novos elementos sem apagar a identidade alpina que atravessou gerações.

A transformação ficou a cargo do arquiteto Luis Laplace, que trabalhou para manter a essência da arquitetura local. Madeira, pedra, móveis antigos e detalhes artesanais convivem com intervenções contemporâneas, criando ambientes em que o passado permanece presente sem transformar o hotel em uma reprodução nostálgica.

Uma coleção de arte entre as montanhas

A experiência ganha outra dimensão com as obras distribuídas pelos ambientes. O acervo reúne trabalhos de artistas como Louise Bourgeois, Alberto Giacometti, Gerhard Richter e Nicolas Party, aproximando a arte contemporânea da atmosfera acolhedora de uma casa alpina.

Nos quartos e nas áreas comuns, as obras dividem espaço com objetos tradicionais, peças garimpadas e elementos ligados à cultura da região. Afrescos criados pelo artista Corin Sands também incorporam referências a paisagens e narrativas locais, reforçando o diálogo entre arte, arquitetura e território.

A intenção não é fazer do hotel apenas uma vitrine de obras importantes, mas criar uma experiência em que elas convivam naturalmente com a rotina dos hóspedes. A arte aparece no caminho para o restaurante, nos espaços de descanso e nos detalhes que convidam a olhar o ambiente com mais atenção.

O charme de Sils-Maria

A localização também ajuda a explicar a personalidade do Chesa Marchetta. Situada no vale de Engadina, Sils-Maria é conhecida por suas paisagens alpinas e por uma história cultural ligada a escritores, filósofos e artistas. Friedrich Nietzsche viveu na região durante parte da década de 1880, enquanto nomes como Hermann Hesse, Thomas Mann e Alberto Giacometti também fazem parte do imaginário cultural associado ao destino.

Essa herança aparece na proposta do hotel, que busca conectar a experiência da hospedagem ao lugar onde está inserido. Em vez de apostar apenas na grandiosidade, o projeto valoriza materiais, tradições e referências locais, criando uma forma de luxo mais discreta e ligada à autenticidade.

Uma experiência que também passa pela mesa

O restaurante completa a proposta com uma cozinha conduzida pelo chef italiano Davide Degiovanni. O menu combina referências italianas e ingredientes associados à região alpina, com pratos que incluem nhoques com trufas, preparações com peixes de água doce e sobremesas que exploram sabores como castanhas e avelãs.

A atmosfera acompanha o restante do projeto: mesas à luz de velas, estruturas de madeira e obras de arte formam o cenário para refeições que fazem parte da experiência do hotel, e não apenas de um serviço complementar.

No Chesa Marchetta, arquitetura, arte, gastronomia e paisagem seguem a mesma ideia: respeitar a história do endereço enquanto abrem espaço para novas interpretações. Em meio às montanhas suíças, o hotel mostra que a sofisticação também pode estar na escolha cuidadosa dos detalhes, na memória preservada de uma antiga hospedaria e na liberdade de encontrar arte onde menos se espera.

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