Romântico, provocador e com um toque de mistério: Alexandre Herchcovitch abriu a 61ª edição da São Paulo Fashion Week com uma coleção que explora os contrastes que fazem parte de sua identidade criativa. Apresentada nesta terça-feira (13), na FAAP, em São Paulo, a proposta de verão/outono 2027 reúne referências góticas e vitorianas, elementos de lingerie e uma atmosfera boho, sem abrir mão da sensualidade característica do estilista.
O desfile começou com um maiô preto de couro e borracha, marcado por recortes profundos e uma construção próxima ao corset. Na sequência, vestidos de renda bordada, golas altas e volumes delicados trouxeram uma leitura romântica que dialoga com a moda do século XIX. A alternância entre essas referências dá o tom da coleção: a delicadeza aparece ao lado de uma estética mais ousada, criando uma tensão interessante entre o que revela e o que esconde.
As texturas também ganharam protagonismo. O couro divide espaço com tecidos fluidos, saias plissadas, transparências e peças de pelúcia estampada, enquanto blazers de aparência amassada e conjuntos com xadrez ampliam o repertório visual. A alfaiataria surge menos rígida, com volumes construídos pelo próprio corte e pela costura, em vez de depender exclusivamente de estruturas internas.
Outro ponto de interesse está na maneira como Herchcovitch trabalha materiais que normalmente ficam escondidos na construção de uma roupa. Tule e voal de algodão aparecem como protagonistas, revelando camadas e estruturas e criando uma sensação de leveza. A transparência, nesse contexto, não funciona apenas como recurso sensual: ela também permite observar a arquitetura das peças e a relação entre tecido, corpo e movimento.
Ao revisitar códigos de sua própria trajetória, o estilista não se limita à nostalgia. A coleção combina referências históricas, cultura underground e experimentação de materiais em uma leitura contemporânea, que alterna vestidos delicados, peças de inspiração fetichista e propostas mais descontraídas.
