Handred apresenta “Vapor em Curso”, uma viagem de André Namitala pelo Japão

Entre a tradição e a modernidade, o Japão foi o ponto de partida para a nova coleção da Handred. Com o nome “Vapor em Curso”, a marca apresentou seu Verão 27 nesta sexta-feira, 16 de outubro, no Teatro Cultura Artística, durante a 61ª edição do São Paulo Fashion Week (SPFW N61). Sob a direção criativa de André Namitala, a coleção nasceu das experiências do estilista no país asiático e de um olhar atento às relações entre natureza, arquitetura, técnicas manuais e transformações culturais.

A água é o fio condutor dessa narrativa. Em constante mudança, ela inspira uma reflexão sobre aquilo que se transforma sem perder sua essência, ideia que atravessa tanto a escolha dos materiais quanto as construções das peças. “Vapor em Curso” também traduz a percepção de Namitala sobre um Japão que vai além das imagens previamente imaginadas, revelando encontros entre passado, presente e futuro. Para o designer, a tradição permanece viva justamente por sua capacidade de se renovar.

Essa pesquisa ganha forma em uma coleção que explora sedas, organzas, linhos, algodões, transparências e volumes, equilibrando leveza e estrutura. A alfaiataria aparece em diálogo com superfícies elaboradas e texturas que valorizam o trabalho manual, enquanto o styling de Antonio Frajado, parceiro criativo de André Namitala, reforça a identidade da Handred e a leitura contemporânea das referências reunidas para a temporada.

Entre as inspirações estão os sentō, casas de banho públicas japonesas, e os ryokan, hospedagens tradicionais que aparecem em estampas de luzes, sombras e tons terrosos. A cerâmica japonesa também participa dessa investigação, trazendo questões sobre matéria, memória e uso cotidiano. Já o movimento Mingei, conhecido por valorizar o artesanato e os objetos utilitários, aproxima a coleção de uma visão em que a beleza está presente tanto na criação artística quanto nos gestos do dia a dia.

A pesquisa se estende à geometria dos tecidos tradicionais japoneses e ao diálogo com o Art Déco, percebido em grafismos, laços, faixas e formas geométricas. As Mogas, mulheres japonesas associadas à figura das modern girls, acrescentam uma dimensão urbana à coleção, com recortes, sobreposições e contrastes de texturas que evocam uma feminilidade cosmopolita.

Nos tecidos, o Nishijin, produzido em teares manuais na região de Kyoto, aparece em nuances de laranja e dourado. O Tsumugi, também artesanal e confeccionado em seda, revela uma abordagem mais discreta da tradição têxtil japonesa. Bordados, paetês, vidrilhos e patchworks completam a construção visual, aproximando técnicas artesanais de uma linguagem atual.

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