Ralph Lauren reúne 10 mil fãs em Tóquio para celebrar a cultura vintage da Polo

A paixão por uma marca pode atravessar gerações — e, em Tóquio, ela ganhou um festival inteiro para chamar de seu. Entre os dias 23 e 25 de outubro, a Ralph Lauren realizou a primeira edição do PoloFest, evento dedicado à cultura da linha Polo que reuniu cerca de 10 mil visitantes em Harajuku, no distrito de Shibuya. A programação combinou mercado de roupas vintage, exposições, conversas com nomes da cultura e uma celebração do estilo que ajudou a construir o universo da marca.

A ocasião teve um significado especial: o evento também marcou os 50 anos da chegada da Ralph Lauren ao Japão, em 1976, quando a marca abriu sua primeira loja no país, na loja de departamentos Seibu, em Tóquio. Desde então, o público japonês desenvolveu uma relação particular com as peças da etiqueta americana, incorporando suas referências ao próprio repertório de moda. Essa troca aparece no conceito Ametora, abreviação de American Traditional, que representa a interpretação japonesa do estilo tradicional americano, com camisas button-down, jeans, peças universitárias e referências clássicas reinventadas com atenção aos detalhes.

Um dos grandes destaques do PoloFest foi o mercado vintage, que reuniu 17 vendedores especializados de diferentes partes do mundo e cerca de 5 mil peças selecionadas de seus acervos. Entre os participantes estavam nomes como Big Apple Store, do Japão; Millennial Decorator, dos Estados Unidos; Tartan Vintage, da Itália; e F as in Frank, do Canadá. As raridades e os clássicos da Polo Ralph Lauren atraíram colecionadores experientes e admiradores interessados em descobrir roupas com histórias próprias. As peças receberam etiquetas japonesas que identificavam sua origem vintage, um detalhe que também reforçou seu caráter de colecionável.

A programação foi além das compras. Uma exposição apresentou peças históricas que remontam ao início da Polo Ralph Lauren, em 1967, enquanto instalações e composições de looks exploraram diferentes universos presentes na identidade da marca — do estilo universitário americano às referências náuticas, esportivas e utilitárias. O festival também destacou artistas e artesãos japoneses que deram novas interpretações a roupas antigas por meio de técnicas tradicionais como boro e sashiko, que utilizam remendos e bordados para reparar e transformar tecidos. Algumas dessas criações especiais também fizeram parte da seleção de peças exclusivas associadas ao evento.

As conversas reuniram perspectivas sobre o significado cultural da marca e a maneira como suas roupas são incorporadas por diferentes comunidades. O músico André 3000 compartilhou sua relação pessoal com a Polo e a liberdade de combinar suas peças para construir uma identidade própria. Já Jason Jules, autor de Black Ivy, abordou as conexões entre o estilo preppy, a cultura e as diferentes formas de expressão individual.

A origem do festival também tem uma história curiosa. Em 2006, durante uma visita a Tóquio, Ralph Lauren e seu filho, David Lauren, conheceram o acervo de um colecionador que mantinha uma extensa coleção de peças vintage da marca. O encontro revelou a dimensão de uma comunidade que preservava, negociava e reinterpretava aquelas roupas muito antes de o vintage ocupar o espaço que tem hoje no debate sobre moda.

Para Albie Robert, fundador do arquivo digital The Polo Archive e um dos colecionadores participantes, o encontro foi uma oportunidade de dividir uma paixão cultivada ao longo da vida. Em entrevista à Wallpaper*, ele destacou a possibilidade de conhecer pessoalmente admiradores de diferentes países, muitos dos quais já acompanhava pelas redes sociais. A diversidade de interpretações da Polo, de um continente a outro, também evidencia a força das histórias que a marca construiu ao longo das décadas.

O momento escolhido para a estreia não é por acaso. A estética preppy, as referências universitárias e o guarda-roupa clássico americano voltaram a ganhar espaço na moda, aparecendo também em coleções de casas como Dior, Miu Miu e Celine. Nesse cenário, o PoloFest transforma o interesse pelas peças antigas em uma experiência coletiva, na qual a história da marca se encontra com novas maneiras de vestir e consumir.

O festival inaugura ainda uma série de iniciativas que antecedem o aniversário de 60 anos da Ralph Lauren, em 2027. Embora a marca não tenha confirmado se o PoloFest se tornará um evento anual, sua primeira edição deixou uma mensagem clara: a força da Polo Ralph Lauren não está somente em suas roupas, mas também na comunidade que se formou ao redor delas. Em Tóquio, o passado não ficou guardado nos arquivos — ganhou novas combinações, novas histórias e uma comunidade pronta para mantê-lo em movimento.

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