Martins mistura nostalgia e irreverência em coleção para a SPFW

A paixão pela história da moda deu o tom da apresentação da Martins na São Paulo Fashion Week N61. À frente da marca, Tom Martins partiu de coleções que marcaram sua formação como estilista para criar uma proposta que combina referências de diferentes épocas com a identidade jovem, urbana e maximalista da etiqueta. O resultado é uma colagem visual que privilegia a mistura, as proporções exageradas e a liberdade de criação.

Entre as principais inspirações estão trabalhos de John Galliano para a Dior, Marc Jacobs para a Perry Ellis, Vivienne Westwood, Alexander McQueen e Maison Margiela. Cada referência aparece reinterpretada em elementos como xadrezes, estampas de frutas, tecidos transparentes, desconstruções punk e sobreposições inesperadas. Em vez de reproduzir literalmente os looks que serviram de ponto de partida, Tom seleciona códigos visuais e os combina ao repertório da própria marca.

O jeans, presença recorrente no universo da Martins, divide espaço com tecidos mais delicados, como organza, seda, brocados e rendas bordadas. Muitos desses materiais vieram de estoques parados, enquanto peças jeans garimpadas foram reaproveitadas por meio de técnicas de upcycling. O contraste entre superfícies e acabamentos amplia as possibilidades da coleção, que transita entre o casual e o elaborado.

As silhuetas oversized continuam entre as assinaturas da marca, acompanhadas de patchworks, recortes, aplicações e uma profusão de acessórios. Máscaras que escondem os rostos, correntes, escapulários, miçangas e cristais reforçam o caráter teatral da apresentação. Saias usadas sobre calças e rendas combinadas a peças de aparência mais utilitária ajudam a construir uma imagem que não busca discrição.

A coleção não se limita à nostalgia: ela reorganiza ideias de diferentes estilistas a partir do olhar de uma nova geração, com humor, excesso e combinações que convidam a experimentar o vestir para além das regras convencionais.

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